CALCULAR É PRECISO...

Parece consenso: 10% é a medida ideal que você deve guardar dos materiais de acabamento usados na obra. Consenso que, você vai descobrir, nem sempre funciona. O cálculo de estoque é feito em cima de cortes, supostas quebras e futuras reposições. Porém, no caso de um piso de 300 m2, não faz sentido comprar mais 30 m2, até porque áreas maiores pedem menos recortes e, portanto, há menos perdas no assentamento. Por outro lado, é impossível comprar 0,2 m2 (o mínimo é uma caixa, ou algo em tomo de 1m2) para um lavabo de 2 m2, Os famosos 10% podem ser muito ou pouco dependendo dos seguintes fatores:

Área. Porcentagens extras: 10% até 50 m2, 5% até 100 m2, 2% a partir de 100 m2, "Aplique essa porcentagem sobre a área real, descontando portas e janelas, especialmente se forem grandes.

Número de ambientes. Se você usar a mesma cerâmica em quatro banheiros, não há motivo para calcular 10% para cada um deles. Isto porque é possível aproveitar pedaços que sobraram em um ambiente no outro.

Formato do ambiente. Quanto mais interferências e paredes irregulares, pior. No caso de recortes e saliências, é recomendado comprar uma peça a mais a cada desvio de 90° (por exemplo, uma coluna ou um nicho). Se o local é um retângulo perfeito, sem pilares ou quinas, não ocorrem tantas quebras.

Paginação. Esse jargão usado pelos arquitetos para a disposição da cerâmica no piso e nas paredes tem um papel importante, "A paginação visa zerar os cortes, encaixando um número inteiro de peças no ambiente". Quanto mais cortes, maior a possibilidade de quebras.

Mão-de-obra. Um azulejista experiente corta a peça na diagonal perfeitamente, aproveitando o outro pedaço. Assim, 10% ou 20% extras podem ser exagero.
Mão-de-obra especializada significa economia de material.

Tamanho e cor da cerâmica. Quanto maior a cerâmica, maior a possibilidade de quebras. Já o formato 10x10 se encaixa em qualquer cantinho. Se escolher cores especiais, estampas e relevos, leve uma quantidade maior para estoque. "Mas, se forem cores de linha, não há com o que se preocupar". Peças estampadas dão muita perda, pois é preciso encaixar os desenhos na hora do assentamento. "Neste caso, os 10% são válidos".

Quando e como guardar. Não faz sentido estocar visando economia, coisa que se praticava nos tempos de hiperinflação. Como regra geral pense em cinco peças para substituição. Sempre guardá-las em embalagens originais, pois só na caixa há o número do lote e a referência, essenciais se for preciso repor peças no futuro.
Cozinhas e banheiros são áreas onde os reparos podem acontecer com maior frequência. Então é necessário estocar os revestimentos. "Uma caixa para dois banheiros de 6 m2, é o suficiente".

Fonte: Revista Arquitetura e Construção - Julho/98
Para ler esta reportagem na íntegra procure a fonte citada em bancas ou bibliotecas de sua cidade.